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26

dez.

21

out.

We had been everywhere. We had really seen nothing. And I catch myself thinking today that our long journey had only defiled with a sinuous trail of slime the lovely, trustful, dreamy, enormous country that by then, in retrospect, was no more to us than a collection of dog-eared maps, ruined tour books, old tires, and her sobs in the night — every night, every night — the moment I feigned sleep.
Vladimir Nabokov, Lolita

26

set.

Introdução ao final da história

Ele teve certeza. Ou claras suspeitas. Que talvez não houvesse lesões, no sentido de perder, mas acúmulos no sentido de somar? Sim sim. Transmutações e não perdas irreparáveis, alices-davis que o tempo levara, mas substituições oportunas, como se fossem mágicas, tão a seu tempo viriam, alices-davis que um tempo novo traria? Não era uma sensação química. Ele não tinha a boca seca nem as pupilas dilatadas. Estava exatamente como era, sem aditivos.
Vou-me embora, pensou: a estrada é longa.

20

set.

Amor inabalável



É o recomeço do decênio heróico
envolto em lances de emoção e assombros…
Os ponchos velhos acenando, em fiapos,
a legenda dos épicos Farrapos
e a liberdade agigantando os ombros.

Bento Gonçalves… Canabarro… Onofre…
Souza Netto e o sonho do Seival;
- República dos bravos, andarilha,
instalando o porvir sobre a coxilha
e a cada pouso nova Capital…

República de sonho e rebeldia,
efêmera e no entanto duradoura;
- viveu dez anos, mas se faz, ainda,
a lição imortal que nunca finda
à vossa, à nossa e à geração vindoura.

Andaremos além das nossas horas
emponchados na luz desses exemplos,
sob o batismo secular das auras
que conduziram as legiões de tauras
e ainda abençoam religiões e templos.

O Povo, a Pátria - as religiões mais altas:
a liberdade - o consagrado altar,
e entre arrepios de convulsões e alarmas,
as nossas mãos a sustentar as armas
pelo Rio Grande que nos faz sonhar.

E vós que sois deste Rio Grande herdeiros
contemplai este século que passa
e cinzelai sobre a emoção dos dias
a flama das sagradas rebeldias
- ainda o cerne espiritual da raça.

Reconhecemos ir sumindo, aos poucos,
pelos caminhos das modernas rotas,
nossa estirpe de bravos cavaleiros
que hoje vivem, talvez, os derradeiros
momentos em que possa andar de botas.

Daí pensarmos redobradas vezes
em fugir da alienígena influência,
e num pleonasmo já vazio de luxo,
ensinar o gaúcho a ser gaúcho
e à querência o valor de uma querência.

Em vós, crianças das auroras claras
ensangüentadas do Ibirapuitã,
repousa o sonho, destas almas guaxas,
de ainda ver o Rio Grande de bombachas
ao abrir as coivaras do amanhã!

12

set.

Let it go or bring it back

31

jul.

Remind me you

Remind me you

(Fonte: blacktiealliance)

20

jul.

"Ontem ou agora - Tequila Baby"

”- Sem personalidade alguma, convenhamos.

-Ah, não é bem assim… olha pra isso, vai dizer que não é uma espécie de… charme natural?

-Ah claro, se essa porcaria é o que te encanta, na próxima tu encontra algo quase igual, talvez ainda melhor, com um tom acima, e vários poréns, aperfeiçoados, melhorados e muito mais dignos de serem contemplados, acorda pra vida. Não esquece que ainda

-Não, não é isso…o motivo na verd

-Ah, o que foi agora? HÁ UM PRÓXIMO MOTIVO??? francamente, o que aconteceu enquanto EU estive fora? tu costumas beber de hora em hora pra falar merda assim agora?

-Droga, não. Eu sei, mas as coisas saíram do controle. HAHAHA Não entendo o porquê de ter entrado num eixo no qual eu não tenho total e absoluto desenrolar da situação…que eu não possa manobrar como quero, que não possa mexer os dedos e as cordas transparentes simplesmente movam a parte que EU quiser. É assim com o tempo, por que não com isso?

-Bruna, entende o seguinte: é simples. Eu to cansada disso tudo, por mais que eu tente ser compreensiva contigo. Esse teu jeito simplesmente me irrita às vezes guria. Estamos aqui há horas, olha o meu estado e

-haha…poderia ser pior. Esse aí poderia ser o meu estado.

-Não vejo graça. A situação é calamitosa, um caos total pra um mês como esse. Eu esperava algo UAU, mas não assim. Esse não era o plano, tu reclamas que saiu do controle mas eu sei bem como tu és com essas coisinhas de adrenalina, de ‘vai no embalo’ e ‘essa é a vibe’.

-Agora sim, até me animei… ou não. Mas prossiga, eu estava realmente interessada no drama que me atinge.

-É verdade o que eu disse, algo no meio disso tudo deu errado. E a culpa é tua, tu sabe que

-Típico não? a culpa. Ser minha, eu quis dizer.

-Sim.

-Eu sei.

-Como eu ia dizendo, por mais que essa seja a situação atual, tu sabe que, saindo dos planos ou não… era isso que tu querias não era?

-…

-Depois de tudo, mesmo sabendo o que poderia acontecer no final - se é que chegássemos a um final, e veja só, chegamos!-, quiseste insistir. Uma única vez e foi feita a merda. Parabéns hein amiga.

-Ai Isa, eu agradeceria se não estivesse tão comovida.

-Ironias à parte, se essa não fosse a resposta podia jurar que esperava quase uma lágrima. Ou não.

-É óbvio que não, lágrimas são salgadas por natureza. Já as minhas, são amargas demais para serem desperdiçadas e acabarem caindo na minha boca. Não gosto de provar tal “sensação”.

-Grandes coisas. Como vamos lidar com isso agora?!??!?!?!

-Calma, só peguei o caminho errado. Não quer dar uma última olhada?

-No quê?

-Naquele caseiro cuidando da fazenda ali Isa!

-Porra, já disse que não tem personalidade alguma. Anda, sai dessa!

-Nossa, tu acabou com minhas expectativas de continuar com isso totalmente, quanta insensibilidade e frieza da tua parte.

-Ha ha, como se eu já não soubesse e tu não estivesse acostumada. Anda, sai logo disso!!

-Okay, to virando o carro já guria, te aquieta aí nesse banco. E não faz essa cara de derrotada no meio do abismo. Tem uma necessaire com maquiagens ali no porta-luva. Eu sei, era bem esses olhinhos brilhando que eu esperava. E agora vamos dalheee!

-Saaaai, tira essa mão gelada de mim porra! Nossa que merda, como é bom te ter de volta amiga.

-Ah, e lá se vai o cubo de gelo.”

05

jul.

(…)Quando vejo, lá vou eu, estou vivendo antecipadamente todo o enredo das coisas, sem deixar nada de bom pra realmente acontecer, facilitando o desencanto.

Como aqueles casais que soltam as mãos pra vencer divididos o poste de luz na rua, eu pensei que seria mais fácil me desvencilhar de você antes do primeiro obstáculo. Que, ok, havíamos nos encontrado por acaso, cruzado olhares guardados, mas nada que me atasse à você além de um laço bem feito, bonito, desses de presente, mas frágil, que se desfaz com um singelo puxão, e que se eu resolvesse rebentá-lo, seria isso e pronto.

Mas não foi isso e pronto. Eu já não sei esquecer seu rosto, me acostumei com esse seu jeito cabisbaixo de viver como se a vida tivesse acontecendo sem você. Aí você interfonou, disse o nome, tentei fingir não lembrar, ameacei chamar os bombeiros, mas deixei você subir. E não é que você subiu mesmo? Então, lá vamos nós, mais uma vez, seja o que for. Mas que pelo menos seja, dessa vez.

(Gabito Nunes)